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segunda-feira, 13 de junho de 2011

Ser Espírita


" Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más".
Allan Kardec "O Evangelho segundo o Espiritismo" - Capítulo XVII, item 4 § 5
Se consultarmos o dicionário ele nos indicará tratar-se de pessoa vinculada ao Espiritismo. Se perguntarmos a quem não é espírita, uns ironizam (dizendo por exemplo que os espíritas "mexem" com os mortos), outros temem, outros permanecem indiferentes. Se indagarmos aos próprios espíritas, uns dirão que é ir ao Centro, tomar passe, ouvir ou fazer palestras, ler livros. Outros dirão que é fazer caridade. As respostas serão várias, mas todas incompletas. O melhor então é buscarmos nos livros da própria Codificação, a partir de O Livro dos Espíritos.
Em O Livro dos Espíritos, na conclusão (item VII), o Codificador apresenta uma classificação dos adeptos:
  • Os que acreditam; 
  • Os que acreditam e admiram a moral espírita; e 
  • Os que crêem, admiram e praticam. Segundo Kardec, esses últimos são os verdadeiros espíritas, ou os espíritas cristãos.
No livro O Céu e o Inferno, que apresenta coletânea de inúmeras comunicações de espíritos nas mais diversas condições, há uma manifestação interessante de espírito que se encontra classificado como Espírito feliz, fruto de uma conduta digna quando na Terra. Trata-se do espírito identificado pelo nome de Jean Reynaud. Indagado se na vida física ele professava o Espiritismo, respondeu: "Há uma grande diferença entre professar e praticar. Muita gente professa uma Doutrina, mas não pratica. Pois bem, eu praticava e não professava."
Professar significa reconhecer publicamente, declarar-se adepto, dizer de si mesmo, fazer propaganda da idéia. Pois bem, aí está a chave da questão. A situação de felicidade do Espírito devia-se à vivência dos princípios do Espiritismo, mesmo sem conhecê-lo.
Breve consulta ao capítulo XVII de O Evangelho Segundo o Espiritismo no item O Homem de Bem e Os bons espíritas, faz compreender que as características coincidem com os preceitos morais que justificam a denominação de espíritas cristãos, conforme definição do próprio Codificador, pois aí surge a figura do espírita praticante. 
A questão pode ser fechada com trecho do Espírito Simeão, constante do capítulo X - do mesmo livro citado no parágrafo anterior -, item 14. No último parágrafo, diz o Espírito: "(...) Se vós vos dizeis espíritas, sede-o pois; olvidai o mal que se vos pôde fazer e não penseis senão uma coisa: o bem que podeis realizar. (...)".
Ora, o trecho transcrito bem indica o programa de vivência espírita. Para colocá-lo em prática, há que se esforçar para vencer as más tendências e ainda ocupar-se de fazer o bem. Eis o que é verdadeiramente ser espírita: a adoção dos preceitos morais como diretrizes da própria conduta ou o esforço para a eles se adaptar. O ser espírita é mais uma questão de foro íntimo, que de aparências externas.
Segunda Alan Kardec, define-se o verdadeiro espírtita pela citação: " Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más".
Allan Kardec "O Evangelho segundo o Espiritismo" - Capítulo XVII, item 4 § 5
Na prática o espírita deveria ssim proceder:
Quando tudo parece conspirar contra a felicidade almejada, o espírita será sempre aquele que erguerá os olhos para a face risonha da Vida que o antoja, superando o momento aziago com alegria, confiança em Deus, serenidade, bondade e amor...
O Espírita-Cristão, não carece ser na sociedade em que vive, um ser exótico, diferente dos demais, senão na consciência reta e pulcra no fiel comprimento dos deveres que lhe são próprios.
A Divina Sabedoria que rege nossos destinos, é perfeita em todos os sentidos e observando nossa condição de Espíritos Eternos, acalenta-nos em seu Amor Infinito e incondicional, preceituando para cada um de nós: saúde e não doença, conciliação e não discórdia, paz e não desequilíbrio, tolerância e não intransigência, alegria e não tristeza, esperança e não desânimo, perdão e não ressentimento, êxito e não fracasso, coragem e não fraqueza, fé e não medo destrutivo, disciplina e não desordem, progresso e não atraso.
A Doutrina de Jesus, se resume toda no amor e nos ensina a caridade, a justiça, a humildade, a paciência, a abnegação, o perdão e a resignação dinâmica que sabe agir no momento certo, jamais se amolentando na indiferença ou no desânimo...
O perdão oferecido pelo verdadeiro espírita, é aquele que brota das mais profundas anfractuosidades do coração e faz olvidar por completo as ofensas recebidas.
Os Espíritos amigos exoram:
"Pregai, exemplificando, a Caridade ativa, infatigável, que Jesus vos ensinou, substituindo a cólera que conspurca pelo amor que edifica; sede probos, leais e conscienciosos, fazendo sempre aos outros o que quereis que vos façam; amai sem escravizar-vos e sem escravizar".
Espiritismo!... Que além de ser Ciência, Filosofia e Religião, é também poesia!...
"Felizes dos que te conhecem e tiram proveito de seus ensinos!..."
Alguns espíritas se preocupam muito em “Ser Espírita” e se esquecem do principal: o trabalho, o amor, a caridade.
Muito mais importante que ser espírita é ser caridoso. E tem muita gente por aí que não é espírita e é mais caridoso do que aqueles que discutem se são ou não espíritas.
Alguns espíritas se cobram muito e fazem pouco, quando deviam fazer muito, assim não lhes restaria tempo para ficarem se cobrando, já que estão servindo.
Como disse Gandhi: “Que a nossa mensagem seja a nossa própria vida.”
Assim deveriam ser os espíritas, calados e praticantes, reconhecidos pelas obras e não por sua religião, que sinceramente para Deus não importa qual seja.
Acho que quando ele compreender isso, o espiritismo vai realmente romper fronteiras, mas as fronteiras do coração, não a das religiões.
O espírita se cobra porque é cobrado, e é cobrado porque não faz muitas vezes o que deveria fazer, embora saiba o que deva ser feito.
Quando ele for trabalho, amor e caridade, e não vai ser cobrado e vai ser reconhecido como espírita, aí sim ele vai poder dizer a si mesmo e a mais ninguém :
Sejamos pois espíritas nas vinhas de Deus, onde o trabalho urge e é tão necessário.
Fiquem com Deus.
 

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Qual a Maior Virtude de Todas?

“Qual é a mais meritória de todas as virtudes?”
 Esta indagação foi feita aos orientadores espirituais e está registrada em O Livro dos Espíritos, como questão 893. 
A resposta não deixa dúvidas: “Todas as virtudes têm seu mérito próprio, porque todas são sinais de progresso no caminho do bem. Há virtude sempre que há resistência voluntária à atração das más tendências. Mas o que há de mais sublime na virtude é o sacrifício do interesse pessoal pelo bem do próximo, sem segundas intenções. A virtude mais meritória é aquela fundada na mais desinteressada caridade.”
Resta-nos, agora, definir e compreender o que é caridade. Já não mais podemos confundi-la com a esmola, depois das orientações trazidas pelo Espiritismo.
A caridade é exercida em cada movimento, em cada atitude, quer em relação a terceiros quer em relação a nós mesmos. É até comum nos esquecermos da autocaridade, quando descuidamos da saúde, do indispensável repouso, do equilíbrio alimentar e entramos em desvarios mentais que nos causam os conhecidos estresses e depressões.
Para que essa caridade tenha sucesso, a virtude, mencionada no título deste despretensioso escrito, é das mais importantes: PACIÊNCIA! Quantas vezes nos perdemos pela impaciência, desistindo de tentar mais um pouco, de manter a confiança e serenidade por mais um tempo, sem desistir de algum objetivo. Ele pode ser a vitória sobre a irascibilidade, a tolerância com alguém difícil, a aceitação da enfermidade que nos aborrece, a persistência na educação de um filho rebelde, o equilíbrio no trânsito ou a conformação ante as dificuldades da vida.
Em nosso livro “Modo de Ver”, da Casa Editora O Clarim, temos uma página que diz Paciência, a ciência da paz. Argumentamos que, embora etimologicamente paz e ciência nada tenham a ver com paciência, sem dúvida, a paciência é a ciência que nos leva à paz.
A paciência nos é ensinada pela natureza. Qualquer planta espera, pacientemente, o tempo certo para dar flores e depois produzir frutos. O feto espera nove luas para depois nascer. Tudo na hora certa. Nosso coração bate uma vez e espera que o sangue percorra o caminho devido para, depois, bater novamente, num trabalho de décadas, sem que ele se aborreça com a rotina. O mesmo se dá com a respiração, com a digestão, que mostram a paciência da natureza em relação a nós.
Imaginemos se Deus não tivesse paciência com seus filhos. Manda um emissário à Terra para ensinar-nos; manda outro e mais outro e nós continuamos turrões ante os conselhos de seus enviados, todos eles visando a nossa felicidade. Mas Deus nunca desiste. Afinal, foi Ele quem inventou a paciência!
A falta de paciência gera a irritabilidade e o consequente nervosismo; desequilibra-nos o organismo, produzindo úlcera, gastrite, hipertensão, angina, infarto, vitiligo, baixando a imunidade e até interferindo nas células que terminam cancerosas. Isso no corpo físico.
Se analisarmos sob o prisma espiritual, veremos que a impaciência abre portas para processos obsessivos, dada à sintonia com espíritos inferiores que se comprazem ante a nossa infelicidade. E, à medida que o processo se instala, vai ficando mais intenso e crônico, dificultando a reversão para retorno ao equilíbrio.
Quando ficamos impacientes, seja com algo ou alguém, busquemos desviar o pensamento, sintonizando com algo bonito, ouçamos a música preferida ou usemos outros recursos que nos ajudem a desviar a atenção daquilo que consideramos problema. Partamos do princípio de que tudo tem solução. Até a morte é uma bela saída para interromper, muitas vezes, vidas inúteis ou desregradas. Lembramos uma trova sobre a morte, de Djalma Andrade, aquele poeta de Congonhas do Campo-MG, que diz: A morte é a bela enfermeira/vem sem a gente chamar/e cura sempre as feridas/que ninguém soube curar. Ou a outra, do mesmo autor: A morte é a melhor das aias/sem ser chamada aparece/e é tão lindo o que ela canta/que a gente logo adormece.
Paciência depende de um aprendizado lento e contínuo. Só vem quando se tem fé. Mas, como tudo o que incorporamos ao inconsciente espiritual é nosso, é inalienável, qualquer esforço vale a pena, porque é o tesouro que o ladrão não rouba, a traça não come e a ferrugem não destrói. Quem, numa encarnação, incorporar em si uma das virtudes – paciência, humildade, desprendimento, solidariedade, resignação, etc. – fica dono dela por toda a eternidade. Por que imaginamos que Chico era daquele jeito? Porque ele treinou, em encarnações passadas, uma coisa em cada uma delas. E, tenham certeza, não foram poucas as suas vidas de aprendizado.
Paciência não se compra em farmácia. O que lá se compra é calmante, que nada mais é do que paciência artificial. Para usar um termo atual, é paciência pirata. A verdadeira e conquistada paciência evita crimes, insucessos, inimizades, injustiças, arrependimentos, mágoas, enfermidades e tantas outras dores. Perseverar sempre mais um pouco, antes de perder a paciência, é sabedoria; mesmo porque ninguém pode perder o que não tem!
É difícil, mas vale a pena.
RIE - Revista Internacional de Espiritismo - maio 2011

terça-feira, 17 de maio de 2011

O Poder da Doçura


O viajante caminhava pela estrada, quando observou o pequeno rio que começava tímido por entre as pedras. 
Foi seguindo-o por muito tempo. Aos poucos ele foi tomando volume e se tornando um rio maior. 
O viajante continuou a segui-lo. Bem mais adiante o que era um pequeno rio se dividiu em dezenas de cachoeiras, num espetáculo de águas cantantes. 
A música das águas atraiu mais o viajante que se aproximou e foi descendo pelas pedras, ao lado de uma das cachoeiras.
Descobriu, finalmente, uma gruta. A natureza criara com paciência caprichosas formas na gruta. Ele a foi adentrando, admirando sempre mais as pedras gastas pelo tempo. 
De repente, descobriu uma placa. Alguém estivera ali antes dele. Com a lanterna, iluminou os versos que nela estavam escritos. Eram versos do grande escritor Tagore, Prêmio Nobel de Literatura de 1913: 
Não foi o martelo que deixou perfeitas estas pedras, mas a água, com sua doçura, sua dança, e sua canção. Onde a dureza só faz destruir, a suavidade consegue esculpir. 

* * *

Assim também acontece na vida. Existem pessoas que explodem por coisa nenhuma e que desejam tudo arrumar aos gritos e pancadas. 
E existem as pessoas suaves, que sabem dosar a energia e tudo conseguem. São as criaturas que não falam muito, mas agem bastante.
Enquanto muitos ainda se encontram à mesa das discussões para a tomada de decisões, elas já se encontram a postos, agindo. 
E conseguem modificar muitas coisas. Um sábio exemplo foi de Madre Teresa de Calcutá.
Antes dela e depois dela tem se falado em altos brados sobre miséria, fome e enfermidades que tomam comunidades inteiras. 
Ela observou a miséria, a morte e a fome rondando os seus irmãos, na Índia. Tomou uma decisão. Agiu. Começou sozinha, amparando nos braços um desconhecido que estava à beira da morte nas ruas de Calcutá. 
Fundou uma obra que se espalhou, com suas Casas de Caridade, por todas as nações. 
Teve a coragem de se dirigir a governantes e homens públicos para falar de reverência à vida, de amor, de ação.
Não gritou, não esbravejou. Cantou a música do amor, pedindo pão e afeto aos pobres mais pobres. 
Deixou o mundo físico mas conseguiu insculpir as linhas mestras do seu ideal em centenas de corações.
Como a água mansa, ela cantou nos corações e os conquistou, amoldando-os para a dedicação ao seu semelhante.
* * *

Há muito amor em sua estrada que, por enquanto, você não consegue valorizar...
Busque se aplicar no dom de ver e, vendo a ação da presença do Criador, que é amor, na expressão mais alta, como conceituou o Apóstolo João, faça de sua passagem pelo mundo um dia feliz. 
Se você espera ser útil e desaprova a paralisia do coração, procure amar, porque todos os mistérios da vida e da morte se encontram no amor... pois o amor é Deus!

 Redação do Momento Espírita, com pensamento finais do cap. 22 do livro Rosângela, pelo Espírito homônimo, psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter.



Em 26.04.2011.

sábado, 14 de agosto de 2010

O bem faz bem a quem o pratica

"Espírito algum construirá a escada de ascensão sem atender às determinações do auxílio mútuo." 
(Bezerra de Menezes)

O bem faz bem a quem o pratica.
A frase não é inédita. Já a ouvimos muitas vezes. Contudo, parece que, a pouco e pouco, as pessoas começam a se convencer dessa verdade.
Pesquisa realizada, nos Estados Unidos, pelo Instituto Gallup, demonstra que 95% das pessoas afirmam sentir bem-estar com o exercício regular da filantropia.
Filantropia entendida como qualquer atividade que vise promover o bem-estar do semelhante.
Independe de dinheiro e pode estimular outros à realização de ações a benefício de alguém.
Exemplos existem muitos. Como o da atriz brasileira que, durante quase duas décadas, freqüentou o presídio do Carandirú, desativado em 2002. Ali ela criou o projeto Talentos aprisionados, promovendo cursos de teatro, dança, artes plásticas e literatura.
Ao descrever seu trabalho, ela o qualifica de recompensador, não só para quem ela ajudou, mas para si mesma.
Há quem diga que as pessoas praticam filantropia para aliviar a própria consciência, sem resolver a raiz do problema de quem, pretensamente, estariam auxiliando.
Nesse ponto, lembramos a frase de Madre Teresa de Calcutá: Se você não pode alimentar 300 pessoas, alimente apenas uma. Assim, saber que uma criança, por exemplo, está abrindo um presente doado por alguém, pode não ser suficiente mas faz bem.
Fez uma criança feliz, mesmo que por breves momentos. Por um curto período, ela soube que sonhos podem se tornar realidade. E voltará a sonhar. E cultivar esperança. E a pessoa, com certeza, partilhou daquela felicidade.
Por vezes, as pessoas se questionam se podem doar algo sem sair de casa. E a resposta é afirmativa. Há muitas maneiras de se engajar em campanhas contra a fome, a doença, propondo-se à doação de valores, itens não perecíveis, roupas, medicamentos. Contudo, quem, além de doar alguma coisa, doa a si mesmo, vai ao encontro do outro, melhor ainda se sente. Uma história emocionante é de uma dona de casa que, em três anos, coletou e doou mais de 4.500 litros de leite materno para bebês órfãos na África. Podemos ter ideia de quantas vidas terá salvo, com seu gesto? E como ela deve se sentir feliz, realizada?
Se você é dos que já se doa no trabalho, em casa, com familiares e acha impossível se doar mais, acredite, é possível.
Este é um convite para você se engajar nessa rede sem fronteiras, pelo bem. Isso porque desejamos que você possa sentir a felicidade, o bem-estar por fazer o bem.
E se você não sabe o que fazer, onde começar, principie olhando a sua rua, os seus vizinhos, o seu bairro. Verifique o que falta, quem tem necessidades. Indague no seu templo religioso, no clube que freqüenta. 
Tenha certeza: sempre existe alguém, bem próximo a você, envolvido no bem. E você poderá ser mais um, nessa fieira de bondade.

Redação do Momento Espírita, com base no artigo Com a caridade na agenda, de Rodrigo Turrer, publicado na revista Época de 04.01.2010.
Em 10.08.2010.
Camila Taveira
Editora - DF Record
Repórter - Justiça para Todos/AJUFE - Sábado 22h30 Ter/Qui 05h30 Qua 19h 
www.tvjustica.jus.br <http://www.tvjustica.jus.br/>
Jornalista DRT/PB 2511
(61) 8166-018